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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O Preço da Cultura












Cultura tem preço e como qualquer bem essencial tem que ser consumido e pago para isso.
A cultura está onde está quase no fundo do poço e devemos agradecer aos nossos politicos, administradores e manipuladores... tem que se deixar esse velho costume de que vai ter um evento e diz-se traga seu grupo pra se apresentar que estará divulgando seu trabalho... pau no cu de quem pensa assim... quando você tá com um filho doente você diz pro medico faça uma cirurgia que estará divulgando seu trabalho... ou você vai no mercadinho e diga dê-me uma feira que assim falarei bem do seu estabelecimento... tem que se acabar esse estado de servidão da cultura para com os nossos administradores... eles querem cultura?? E porque não pagam por isso?? Como qualquer outro produto isso tem que ser pago...
Hoje em dia o Coco Raízes de Arcoverde tem seu produtor e o grupo só se apresenta diante de um pagamento de alguns milhares de reais... estão errados? Claro que não, eles mantiveram isso vivo e também precisam sobreviver... então vão levar o nome de sua cidade e seu estado de graça? o povo não paga pra ver uma banda de forró porque não se pode pagar por cultura???
Um povo que perde sua cultura perde sua identidade e padece... o exemplo... os índios que foram se convertendo ao cristianismo foram deixando sua cultura e sua tradição de lado e aos poucos não tinham mais nenhuma identidade que os mantivessem unidos... hoje vê-se índios pedindo esmolas em várias cidades e os índios que preferiram se isolar disso hoje ainda mantem suas tradições e identidade e podem reinvidicar seus direitos de seus territórios, porque ainda tem suas tradições, seus costumes, sua língua que facilmente os identifica...
Quando a Mazurca, as bandinhas de pifano, quando o vaqueiro, quando o coco de roda acabarem o que teremos de diferente pra dizer que essa é nossa identidade?? Seremos apenas iguais a todos os outros sem nossas raízes, sem nossas tradições?
Eu sinceramente estou desanimado e daqui pra frente não quero nem saber de pessoas que querem que eu faça isso ou aquilo pra que eu divulgue meu trabalho... foda-se... eu trabalho e como qualquer trabalho tem seu preço... estou indignado com a forma como tem se tratado cultura em nosso país... O coco de Roda Quitéria Noberto, a Mazurca, etc... não precisam se apresentar pra se divulgar... eles tem que receber cachê pra nos dar a oportunidade de vivenciar a sua cultura, a sua arte e vermos as nossas raízes que são a resistência viva...
O que precisamos é de grupos como a Ascusa de Zabelê... onde há uma associação que tem parceria com a prefeitura, mas, que se mantem de forma independente inscrevendo projetos para os diversos editais que aparecem e é um exemplo reconhecido em toda a Paraíba por entidades culturais como um exemplo a ser seguido.

Asley Ravel

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